... a pelagem clara da lebre a possibilita desaparecer na neve. Sua respiração, intermitente, exageradamente acelerada e afobada aguça todos os sentidos do predador que, à espreita, aguarda seu primeiro vacilo...
É o dia de sorte da lebre. Atingido no pescoço por uma bala calibre 12, o lobo tomba na neve, tingindo de escarlate o gelo que brota do chão. Ainda escondida, a lebre examina as redondezas, buscando qualquer sinal de perigo iminente. Não há.
É frágil a existência da presa. Cada pulsação de seu coração tem o sabor de ser a última. Ela se despede das paredes da sua toca com um descrente 'até nunca mais', toda vez que sai para ver o sol.
Os seis meses de penumbra ártica são sempre compensados pelos eternos 180 dias de luz permanente, de claras madrugadas a luas boiando em tons de azul-celeste.
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